domingo, 24 de abril de 2011

Clássico dos Milhões Decide a Taça Rio

Foto Divulgação

Roberto Sander
Carioca de Ipanema, mas radicado no Leblon, Roberto Sander é jornalista há 25 anos. Formou-se pela PUC-RJ e trabalhou durante duas décadas na TV Globo e SporTV, entre outros importantes veículos de comunicação. Desde 2004, iniciou a carreira de escritor. Em 2008, criou, ao lado do jornalista Paschoal Ambrósio Filho, a Maquinária Editora, especializada em literatura esportiva. Tem oito livros publicados. Nesse espaço, vai comentar os jogos dos times do Rio no fim de semana.

Não faltou emoção, porém o Fla-Flu que decidiu uma vaga para a final da Taça Rio, tecnicamente, ficou muito longe das tradições do mais charmoso clássico do futebol brasileiro. Desde os primeiros momentos da partida, mais uma vez, se via um Flamengo sem padrão de jogo, dependendo dos lampejos de Thiago Neves – que, bem marcado, pouco aparecia no jogo – e dos avanços de Léo Moura pela direita. Como o lateral rubro-negro se machucou ainda no primeiro tempo, o Flamengo ficou praticamente sem opções de jogadas.

Pelo lado do Fluminense, o quadro inicial era um pouco melhor. A zaga se mostrava firme, bem protegida por Diguinho e Valencia, e o ataque com dois centroavantes de verdade – algo que falta ao Flamengo – levava sempre mais perigo. O gol de Rafael Moura – apesar de ter sido marcado em impedimento – apenas refletiu essa superioridade. Mesmo assim, o Fluminense ainda estava longe de apresentar o bom futebol da última quarta-feira, quando, milagrosamente, conseguiu a vaga para a próxima fase da Taça Libertadores da América.

Thiago Neves Empata para o Flamengo de Cabeça

No segundo tempo, esse quadro se modificou um pouco, a meu ver, a partir da infeliz substituição que tirou Rafael Moura de campo e promoveu a entrada de Tartá. A entrada de Araújo seria bem mais interessante, pois manteria a postura ofensiva do time com um jogador veloz, de boa movimentação e que costuma fazer seus golzinhos.

Desse momento em diante, o Flamengo melhorou um pouco e acabou marcando depois de um belíssimo passe de Williams. Contrariando seu histórico de jogador que só sabe desarmar, ele colocou a bola na cabeça de Thiago Neves, que conferiu o lance e comemorou muito sem a hipocrisia de muitos jogadores que fecham a cara depois de marcar contra o ex-clube.

Outro fato que contribuiu para a melhora do Flamengo foi o nítido desgaste físico do Fluminense, afinal não se faz uma viagem internacional no meio da semana e se joga uma partida de forte tensão emocional impunemente, como aconteceu contra o Argentino Juniors. O gramado pesado também não ajudou o Tricolor que, ainda assim, criou três oportunidades de gol que, se aproveitadas, poderiam ter decidido a partida.

Uma quando Marquinho, na frente de Felipe, isolou a bola depois que ela deu um quique e subiu demais, bem na hora do chute. Outra, após grande defesa do goleiro rubro-negro, num chute de Fred cara a cara. E uma terceira numa cobrança de falta de Fred que Felipe espalmou e, no rebote, Mariano pegou de primeira para outra boa defesa do arqueiro rubro-negro.

Vieram as cobranças de pênalti e os dois goleiros trabalharam bem. Pior para o Fluminense que colocou Tartá para bater na série alternada. O seu semblante tenso, antes da cobrança, já parecia anunciar o chute inofensivo que Felipe defenderia com facilidade. Já Diego Maurício fez a cobrança seguinte e, com firmeza e categoria, colocou um invicto, mas ainda pouco convincente Flamengo, na final da Taça Rio.

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A vitória do Vasco sobre o bem estruturado time do Olaria foi suada, mas suficiente para também carimbar o passaporte do clube na final da Taça Rio. Méritos, sobretudo, para o técnico Ricardo Gomes, que chegou a São Januário com a árdua missão de recolocar o Vasco no caminho das vitórias, o que parecia improvável pelos resultados do início da temporada.

Méritos também para a direção do clube que correu atrás de alguns reforços importantes, o que possibilitou a Ricardo Gomes fazer o trabalho dele com jogadores um pouco mais qualificados. O fato é que sou particularmente fã do técnico do Vasco. É um cara acima da média nesse universo, muitas vezes, tão árido do futebol. Bem articulado, inteligente, ético, foi também um zagueiro de altíssima qualidade.

Eder Luís Marca em Momento Oportuno para o Vasco

Na verdade, a presença de Ricardo Gomes à frente do Vasco é um bom sinal dos tempos. Com o autoritário Eurico Miranda no comando do clube, dificilmente um treinador como o perfil dele teria espaço para trabalhar. Mas hoje o clima em São Januário, depois de dois anos de administração Roberto Dinamite, é totalmente diferente. A atmosfera pesada de anos atrás deu lugar a um ambiente arejado onde as ideias circulam sem qualquer tipo de censura.

Mas voltando ao tema Ricardo Gomes, o considero, ao lado Cuca, Dorival Júnior, Mano Menezes, e dos consagrados Muricy e Felipão, um nome de ponta entre os “professores” que atuam atualmente no futebol brasileiro. Podemos colocar nessa lista também o Abel Braga, que logo estará à frente do Fluminense.

Nesse confronto pelo título da Taça Rio com o Flamengo, evidentemente, que não existe favoritismo. Mas não tenho dúvida de que o Vasco de Ricardo Gomes parte para essa decisão – que caso seja vencida ainda terá que ser confirmada na decisão do título carioca com o próprio Flamengo, o vencedor da Taça Guanabara – com uma força que há muito tempo não se via pelos lados da colina histórica, algo extremamente saudável para o futebol brasileiro.

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Para entender melhor essa importância do clube de São Januário, recomendo a leitura de Os dez mais do Vasco, livro da Coleção ídolos Imortais (Maquinária Editora), escrito a quatro mãos pelos jornalistas vascaínos do jornal O Globo, Claudio Nogueira e Rodrigo Taves. Na obra, lançada em março, são traçados os perfis dos dez maiores ídolos da história vascaína, seleção feita através de uma enquete entre outros jornalistas que torcem pelo clube.

Pois vejam os escolhidos: Barbosa, Ademir Marques de Menezes, Danilo Alvim, Bellini, Orlando Peçanha, Vavá, Roberto Dinamite, Romário, Edmundo e Juninho Pernambucano. São nomes de talento indiscutível que fazem do Vasco um gigante do futebol brasileiro.

Lembro aos interessados em literatura esportiva que a Coleção Ídolos Imortais contempla os doze mais importantes clubes brasileiros. Além da obra sobre o Vasco, já foram editados os livros do Flamengo (a terceira edição saí no fim do próximo mês), Botafogo (já na segunda edição), Fluminense (no fim de uma primeira edição de quatro mil exemplares), Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Internacional, Grêmio e Cruzeiro. O livro do Santos está previsto para setembro e o do Atlético Mineiro, talvez, mais para o fim do ano. Esses livros e outros da Maquinária podem ser encontrados nas livrarias Travessa, Argumento e Saraiva, entre outras.

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Claudio Nogueira | Rodrigo Taves - Maquinária Editora
Em Os dez mais do Vasco da Gama – décimo livro da Coleção Ídolos Imortais e um dos mais aguardados pelos apreciadores de literatura esportiva – Saiba Mais Clique Aqui

Uma boa semana para todos e até o próximo domingo.

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