quarta-feira, 3 de junho de 2026

O Leblon que se foi #4 - Livraria Letras & Expressões

A Saudosa

Livraria Letras & Expressões


Quem viveu o Leblon do final dos anos 1990 e dos anos 2000 certamente guarda na memória o brilho da fachada envidraçada que iluminava a Avenida Ataulfo de Paiva, no número 1292. Ali funcionava a filial Lebloniana da Letras & Expressões, muito mais do que uma livraria: um verdadeiro polo cultural, ponto de encontro da boemia intelectual e um símbolo de um Rio de Janeiro que funcionava 24 horas por dia.

Como relembramos no nosso post anterior, aquela altura da avenida era um verdadeiro epicentro da vida do bairro. Quem estivesse saindo da icônica Farmácia Piauí, que funcionava logo ali em frente, precisava apenas atravessar a rua para desfrutar de um ambiente fascinante, regado a café, encontros casuais e discussões acaloradas sobre literatura, cinema e política.



O Conceito: Livros, Café e Madrugadas

Inaugurada em um período áureo do mercado editorial carioca, a Letras & Expressões inovou ao trazer para o bairro o conceito de megastore acolhedora. O ambiente convidava à permanência. Você podia pegar um livro ou uma revista importada nas prateleiras, sentar-se confortavelmente em uma das poltronas ou ir direto para o charmoso café que funcionava nos fundos.



Mas o grande diferencial que a eternizou na rotina do bairro era o seu horário de funcionamento desafiador para os padrões de hoje. A livraria ficava aberta até altas horas da madrugada e, em seus melhores anos, funcionava 24 horas nos fins de semana.


O Ponto de Encontro Pós-Praia e Pós-Baixo Leblon

A Letras & Expressões tinha uma simbiose perfeita com o estilo de vida do Leblon. No final de tarde, era comum ver pessoas recém-saídas da praia de Ipanema ou do Leblon, ainda de bermuda e chinelo de dedo, folheando jornais internacionais ou as últimas novidades da literatura brasileira.



À noite, a livraria na Ataulfo de Paiva virava o "esquenta" ou a saideira perfeita. Quem saía dos cinemas (como o inesquecível Cine Leblon ali perto), de uma peça de teatro ou das mesas do Baixo Beblon (o Jobi, o Bracarense, o Diagonal) inevitavelmente desaguava na Letras & Expressões. Grandes nomes da cultura brasileira, escritores, jornalistas, atores e diretores eram frequentadores assíduos. 



Não era raro esbarrar com grandes personalidades escolhendo um título na madrugada de uma sexta-feira ou participando do icônico "Corujão da Poesia”, famoso sarau criado em 2004 por João Luiz de Souza, vulgo João do Corujão, que tornou-se um grande Point cultural nas madrugadas do Leblon, o evento atraía anônimos e celebridades, com destaque para o padrinho do projeto, Jorge Ben Jor, Otto, Alaíde Costa, Caetano Veloso e outros.


Muito Além dos Livros

Além do acervo impecável de literatura, ciências humanas e artes, a loja da Ataulfo de Paiva era famosa por sua seção de periódicos importados. Em tempos de internet discada ou ainda incipiente, era na Letras & Expressões que os cariocas compravam as últimas edições da Vanity Fair, The New Yorker, Vogue estrangeira ou jornais como Le Monde e The New York Times.

O espaço também era um palco vibrante para lançamentos de livros, noites de autógrafos que movimentavam a calçada, debates e leituras. Era o coração pulsante da intelectualidade da Zona Sul.


A Despedida e o Legado

Infelizmente, a virada dos anos 2010 trouxe ventos difíceis para as livrarias de rua em todo o mundo. A ascensão do comércio eletrônico, o aumento vertiginoso dos aluguéis na Zona Sul e as mudanças nos hábitos de consumo cultural sufocaram o modelo de negócios. A Letras & Expressões do Leblon (assim como a sua charmosa "irmã" da Visconde de Pirajá, em Ipanema) fechou as portas, deixando um vazio imenso na paisagem urbana e cultural da região.

Hoje, tanto a Farmácia Piauí quanto a Letras & Expressões fazem parte do álbum de recordações do bairro. No local onde circularam tantas ideias na Avenida Ataulfo de Paiva, o comércio mudou. Mas para quem viveu aquela época, ao passar por aquele trecho da avenida, ainda é possível sentir o aroma do café misturado ao cheiro de livro novo, ouvir o burburinho das conversas intelectuais na madrugada e lembrar com nostalgia de um Leblon vibrante, charmoso e profundamente literário.



A Letras & Expressões fechou suas portas físicas, mas permanece eternizada na memória de todos que amam o Leblon.


Nota do Editor (Luiz Aviz): Não posso falar da Letras & Expressões sem lembrar do Salvador. Ele era um cara super gente boa, dono de uma banca de jornais no Leblon bem perto de onde eu morava, e acabou se tornando um grande amigo. Quando ele fechou a banca, passou a trabalhar no turno das madrugadas da livraria. Pouco antes de a Letras & Expressões encerrar definitivamente suas atividades, o Salvador me deu um presente inestimável: o suporte de livros da própria loja. Hoje, esse suporte ocupa um lugar de honra na minha casa, exibindo com muito orgulho um de meus livros de piadas.




segunda-feira, 18 de maio de 2026

O Leblon que se foi #03 - Farmácia Piauí

 Farmácia Piauí 

A Esquina da Boemia


A Farmácia Piauí não era apenas um lugar para comprar remédios; ela foi o coração pulsante da vida social e boêmia do Leblon por quase seis décadas. Falar da Piauí é falar da própria história do Leblon e da transformação do bairro.


1. A Fundação e o Pioneirismo (Anos 40)

Fundada em 1946 por João Baptista de Castro, um farmacêutico vindo justamente do estado do Piauí, a farmácia surgiu em um Leblon que ainda guardava ares residenciais e tranquilos.

O grande diferencial veio logo no início: foi a primeira farmácia 24 horas do bairro. Em uma época em que o comércio fechava cedo, a luz acesa na esquina da Avenida Ataulfo de Paiva com a Rua Rainha Guilhermina tornou-se um farol para quem precisava de auxílio de madrugada — ou para quem simplesmente não queria ir para casa.

2. O QG da Boemia e do "Baixo Leblon"

A partir dos anos 70 e 80, com a explosão do Baixo Leblon, a farmácia ganhou um status lendário. Ela ficava no caminho estratégico entre os bares (como o Pizzaria Guanabara e o Real Astória) e as casas dos artistas.


Ponto de Encontro: Como não existiam celulares, a Piauí era o "WhatsApp" da época. Se você estivesse procurando alguém na madrugada do Leblon, bastava passar na farmácia ou na banca ao lado.

O Escritório de Tom Jobim: O maestro era o cliente mais ilustre. Ele morava perto e era visto lá quase diariamente, muitas vezes de pijama e chinelos, comprando jornais ou apenas jogando conversa fora com os funcionários.


A "Farmácia-Clube": Figuras como Millôr Fernandes, Chico Buarque, Henfil e Cazuza eram frequentadores assíduos. Diz a lenda que muitas músicas foram cantaroladas pela primeira vez e muitas crônicas foram idealizadas ali, entre uma prateleira de aspirinas e o balcão de atendimento.

3. Muito Além dos Remédios

A Farmácia Piauí funcionava como um centro de convivência. João Baptista, o dono, era conhecido por sua generosidade. Ele frequentemente dava descontos, vendia fiado para os vizinhos em dificuldade e conhecia os nomes de quase todos os moradores do bairro. A farmácia tinha uma alma que as grandes redes modernas dificilmente conseguem replicar.


4. O Fim de uma Era (2004)

O fechamento da Farmácia Piauí, em setembro de 2004, foi um choque para o Rio. Vários fatores levaram ao seu fim:

Concorrência: A chegada das grandes redes de drogarias, com poder de compra agressivo e preços mais baixos.

Mudança no Perfil do Bairro: O Leblon tornou-se um dos metros quadrados mais caros do mundo, aumentando custos e mudando a dinâmica do comércio de rua.

A Morte do Fundador: Após o falecimento de João Baptista, a gestão familiar enfrentou dificuldades para manter o negócio competitivo diante da modernização do setor.

5. O Legado: A Banca Piauí

Embora a farmácia tenha fechado, o nome Piauí não saiu da esquina. A banca de jornais adjacente, que também era um ponto de referência, assumiu o "sobrenome" da farmácia para manter a tradição viva.

Hoje, a Banca Piauí funciona como um memorial informal. Mesmo que o espaço físico da farmácia agora seja ocupado por uma Droga Raia, os cariocas mais antigos ainda marcam encontros dizendo: "Te vejo lá na Piauí".

A história da farmácia é o lembrete de um Rio onde o balcão do farmacêutico era tão importante quanto a mesa do bar para a cultura da cidade

Nota do Editor (Luiz Aviz)

Eu morava na Avenida Visconde de Albuquerque, entre as ruas Codajás e Igarapava bem proximo da Farmacia Piaui, e meus pais tinham uma conta lá, era só passar e pegar o que precisava e eles anotavam num caderninho, e no final do mês, passar para pagar.


terça-feira, 28 de abril de 2026

O Leblon que se foi #02 - Cinema Miramar

CINEMA MIRAMAR


O Palácio Cinematográfico que o Leblon Perdeu Cedo Demais



O Leblon dos Anos 1950 e seus Dois Cinemas
O ano de 1951 foi especial para o cinema no Leblon. Naquele mesmo ano, o bairro ganhou não um, mas dois grandes cinemas quase simultaneamente: o famoso Cine Leblon, na Avenida Ataulfo de Paiva, e o Cine Miramar, bem na orla, em frente ao mar.

Inaugurado em 1951, no mesmo ano dos famosos Cines Leblon e Azteca, o Miramar ficava em plena Delfim Moreira, a avenida da praia do Leblon, na esquina com a Rua General Artigas. Enquanto o Cine Leblon ficava no coração comercial do bairro, o Miramar ocupava um endereço de luxo, à beira-mar, com vista para as ondas e para os Dois Irmãos.


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Um Gigante de 1.259 Lugares à Beira-Mar

A orla do Leblon teve um cinema com 1.259 lugares entre os anos de 1951 e 1973. O Miramar, do Grupo Severiano Ribeiro, ficava na esquina da Avenida Delfim Moreira com a Rua General Artigas.

O Grupo Severiano Ribeiro que já havia construído impérios cinematográficos na Cinelândia, em Copacabana e em Ipanema apostou alto no Leblon. Nessa época, o grupo inaugurou os cines São Luiz de Recife, São Luiz de Fortaleza e Leblon (RJ), todos parte de uma expansão que cobria o Brasil inteiro. O Miramar era a joia da orla carioca: uma sala imponente, voltada para o mar, que transformava ir ao cinema numa experiência quase cinematográfica só de chegar.


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A Noite em que o Surfe Entrou no Miramar — e Eu Estava Lá

Em 1966, o Cinema Miramar foi palco de um momento que poucos cariocas tiveram o privilégio de viver: o lançamento brasileiro de "The Endless Summer" — lançado no Brasil com o poético título de "Alegria de Verão — A Busca Pela Onda Perfeita". Para celebrar a estreia do documentário de surfe mais icônico da história, a produção fez uma promoção que só poderia acontecer no Leblon: quem chegasse ao cinema com a sua prancha ganhava um ingresso de graça. E o resultado foi uma fila na Avenida Delfim Moreira que misturava cinema e praia de um jeito que o Rio de Janeiro ainda não havia visto. Naquele dia, um jovem morador da Avenida Visconde de Albuquerque (veja abaixo a Nota do Editor), carregava sua prancha até a esquina da Delfim Moreira com General Artigas e entrava no Miramar como se estivesse entrando para a história e de certa forma, estava. A sala com seus 1.259 lugares estava tomada por surfistas, curiosos e apaixonados pelo mar, todos reunidos para ver pela primeira vez na tela grande dois caras viajando o mundo em busca da onda perfeita.



Uma Vizinhança Curiosa

A Casa de Saúde e Maternidade Leblon ficava na calçada oposta ao Cinema Miramar. A maternidade ficava na Rua General Artigas, nº 1 exatamente na esquina com a Delfim Moreira. Ou seja, por muitos anos, nascer e crescer no Leblon significava vir ao mundo numa esquina, e ir ao cinema na outra. Uma vizinhança que dizia muito sobre o bairro daquela época.


A Morte Prematura — 22 Anos de Existência

Maravilhoso e enorme palácio cinematográfico, o Miramar teve morte prematura em 1973. Apenas 22 anos após sua inauguração, o cinema foi fechado e o terreno rapidamente aproveitado pela especulação imobiliária que já varria o bairro.

Um edifício de 8 andares foi erguido no terreno em 1974. Onde 1.259 cadeiras aplaudiam filmes de Hollywood, surgiu mais um prédio residencial de frente para o mar. Sem tombamento, sem resistência o Miramar simplesmente desapareceu.

Diferente do Cine Leblon, que resistiu até 2014 e hoje tem sua fachada preservada no Centro Empresarial Luiz Severiano Ribeiro, o Miramar não deixou fachada, placa, nem registro físico no bairro. Sobrevive apenas nas fotos antigas e na memória de quem teve o privilégio de sentar naquelas poltronas e olhar para a tela com o mar do Leblon logo ali do lado.


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O Que Ficou no Lugar
Hoje, no endereço que já foi um dos cinemas mais bonitos da Zona Sul, existe o Edifício Miramar construído em 1976, localizado na Avenida Delfim Moreira, número 920, é uma referência em luxo e exclusividade na orla do Leblon. O nome homenageia o cinema, mas a alma do lugar ficou para trás.


O Legado

O Cine Miramar é o símbolo daquilo que o Leblon perdeu sem lutar. Ao contrário do Hotel Leblon salvo pelo tombamento depois de intensa mobilização dos moradores, o Miramar foi engolido silenciosamente pela especulação dos anos 1970, quando o bairro ainda não tinha aprendido e nunca aprendeu a defender seu patrimônio. Para os que viveram aquela época, ir ao Miramar era mais do que ver um filme: era sentar à beira do mar, respirar a brisa do Atlântico e deixar que a magia do cinema se misturasse com a magia do Leblon.


Nota do Editor (Luiz Aviz) 

Para celebrar a estreia do documentário de surfe mais icônico da história, "The Endless Summer", no Cinema Miramar. a produção fez uma promoção que só poderia acontecer no Leblon: quem chegasse ao cinema com a sua prancha ganhava um ingresso de graça. E Eu estava lá com minha prancha debaixo do braço e entrei no Miramar para ver "The Endless Summer" naquela tela enorme, foi uma experiência que nunca esqueci. O Leblon era isso: a praia e o cinema, o mar e a cultura, tudo junto e misturado.


O Filme que Mudou Tudo

"The Endless Summer", dirigido por Bruce Brown, narra a aventura de dois surfistas americanos que seguem o verão ao redor do mundo da África à Austrália, passando por lugares que ninguém associava ao surfe. Com uma fotografia deslumbrante e um espírito de liberdade que transbordava da tela, o filme foi fundamental para popularizar o surfe.

O documentário, que em 2026 completou 60 anos, ajudou a introduzir o surfe ao grande público brasileiro, especialmente no eixo Rio-São Paulo. Mas foi no Leblon bairro que já respirava praia, sol e juventude que essa semente caiu em solo mais fértil.A exibição no Miramar é lembrada até hoje como um marco na disseminação da cultura do surfe no país. Naquela noite, o cinema deixou de ser só um cinema: virou ponto de encontro de uma geração que estava descobrindo que o mar era também um estilo de vida.

Veja o Trailer no YouTube

https://youtu.be/lmHQ9v2ijsQ?si=o_3K3rA2tdAo53Y8

terça-feira, 14 de abril de 2026

O Leblon que se foi #01 - Hotel Leblon

Hotel Leblon: A História do Cassino de Luxo que Marcou a Avenida Niemeyer

O Cenário — A Avenida Niemeyer e o Leblon dos Anos 1920

Para entender o Hotel Leblon, é preciso primeiro entender o bairro em que ele nasceu. Em 1916, o Comendador Conrado Jacob Niemeyer abriu nos costões após o Leblon a avenida que levaria seu nome. Em 1920, por ocasião da visita do rei Alberto, da Bélgica, a Prefeitura resolveu alargar a estrada e aumentar o raio de suas curvaturas — e foi nessa mesma ocasião que se construiu a Avenida Delfim Moreira, como continuação da Avenida Vieira Souto até o início da Niemeyer.

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Era nesse Leblon ainda de bangalôs, areais e ares de fim de mundo que surgiria um dos empreendimentos mais ambiciosos — e polêmicos — da história do bairro.

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As Origens — Um Cassino à Beira do Morro Dois Irmãos

Ainda na década de 1920, foi construído no início da Avenida Niemeyer o Hotel Leblon. Projetado pelo arquiteto Antonio Januzzi em 1922, e construído pelo espanhol João Otero Seoane em terreno comprado a Jacob Niemeyer por 150 mil réis, o hotel foi idealizado para funcionar como cassino de luxo, semelhante ao Hotel Quitandinha, de Petrópolis. O projeto havia sido, a princípio, vetado pelas autoridades para preservar a livre visão do Morro Dois Irmãos.

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Inaugurado em 1926, ele chegou a funcionar como ponto de encontro da alta sociedade, que frequentava o local para saborear os vinhos e conservas que Seoane importava da Europa.

Escândalos e a Marchinha do Carnaval

O plano do cassino jamais saiu do papel — e o hotel encontrou outro destino, bem mais pitoresco.

Segundo reportagem intitulada "Avenida Delfim Moreira faz 100 anos", publicada no suplemento Ipanema do Jornal O Globo em 30/10/1989, já no fim da década de 1920 uma simples menção ao Leblon Hotel era considerada um ato de atentado à moral e aos bons costumes. O hotel havia se transformado no primeiro motel da cidade, frequentado por casais de amantes dos mais variados pontos do Rio.

Uma marchinha criada por João de Barro (o Braguinha) e Alberto Ribeiro para o Carnaval de 1935, denominada "Deixa a lua sossegada", dizia em seu refrão: "o beijo começava em Realengo, esquentava no Flamengo e acabava no Leblon".

Hotel Leblon conhecido por histórias e encontros discretos no Rio

O endereço era perfeito para os segredos da cidade: isolado e afastado, funcionava como hotel e bar na parte da frente, mas alugava quartos por hora nos fundos. Como o terreno era grande, havia uma garagem com acesso pela lateral do prédio, que protegia os frequentadores de olhares indiscretos.


Décadas de Abandono e a Batalha pelo Tombamento

Depois da morte de João Otero, por volta da década de 1950, o prédio foi adquirido pelo Motel Clube do Brasil, que passou a explorar o negócio — funcionando ali a sede da entidade até a década de 1970.

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Em 1982, o imóvel de dois andares — com um anexo de três andares nos fundos onde funcionavam 37 apartamentos — foi arrematado em leilão por um consórcio de construtoras (Wrobel, Cowan e Terminal). A intenção era construir no local um edifício residencial ou um novo hotel. Para isso, as construtoras tentaram alterar o registro do imóvel da Avenida Niemeyer para a Avenida Visconde de Albuquerque, onde as construções podem atingir até 25 metros de altura (11 andares), enquanto na Avenida Niemeyer o gabarito máximo é de dois andares.

O prefeito Marcelo Alencar chegou a concordar com o pedido, mas voltou atrás no dia seguinte, revogando sua decisão. Uma virada histórica para o patrimônio do Leblon.

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A intenção do consórcio de demolir o prédio — que foi destelhado logo após a compra — e o seu posterior abandono motivaram a luta pelo tombamento por parte dos moradores do Leblon. Um decreto do INEPAC de 22/09/1994, que tombou parte do Morro Dois Irmãos, declarou o Hotel Leblon como bem preservado por se encontrar em área de entorno de bem tombado. Em 27/07/2001, a Prefeitura do Rio decretou o tombamento provisório do imóvel, com o intuito de criar a Área de Proteção do Ambiente Cultural (APAC) do Leblon.


A Restauração e o Legado

A partir de 2000, os proprietários do imóvel iniciaram obras para a restauração da fachada do Hotel Leblon e a construção de um novo imóvel no espaço atrás da fachada, compondo um novo conjunto arquitetônico. A restauração esteve a cargo da empresa Ópera Prima, que realizou o levantamento cadastral e as formas de toda a ornamentação da fachada. O novo imóvel foi destinado a salas comerciais, com térreo, dois pavimentos e subsolo.

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Hoje o endereço histórico abriga o Leblon Offices — e sua elegante fachada neoclássica na Av. Niemeyer, 2 segue de pé, contando silenciosamente uma história de glamour, segredos, abandono e ressurreição. Um símbolo perfeito da memória viva do nosso bairro.

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Este é um dos poucos patrimônios tombados do Leblon que ainda pode ser admirado presencialmente. Vale uma visita!

Nota do Editor (Luiz Aviz) - Quando ainda era Hotel foi em 1966 que tomei o primeiro Chope de minha vida, num bar que havia nos fundos do Hotel. 

Eu morava na Avenida Visconde de Albuquerque e Eu e minha turminha de noite principalmente no verão quando ainda não havia ar condicionado iamos para a Rua Aperana onde o hotel dava fundos e no verão as janelas ficavam quase todas abertas para ver os "romances" dos casais!

O Leblon que se foi #4 - Livraria Letras & Expressões

A Saudosa Livraria Letras & Expressões Quem viveu o Leblon do final dos anos 1990 e dos anos 2000 certamente guarda na memória o brilho ...