terça-feira, 28 de abril de 2026

O Leblon que se foi #02 - Cinema Miramar

CINEMA MIRAMAR


O Palácio Cinematográfico que o Leblon Perdeu Cedo Demais



O Leblon dos Anos 1950 e seus Dois Cinemas
O ano de 1951 foi especial para o cinema no Leblon. Naquele mesmo ano, o bairro ganhou não um, mas dois grandes cinemas quase simultaneamente: o famoso Cine Leblon, na Avenida Ataulfo de Paiva, e o Cine Miramar, bem na orla, em frente ao mar.

Inaugurado em 1951, no mesmo ano dos famosos Cines Leblon e Azteca, o Miramar ficava em plena Delfim Moreira, a avenida da praia do Leblon, na esquina com a Rua General Artigas. Enquanto o Cine Leblon ficava no coração comercial do bairro, o Miramar ocupava um endereço de luxo, à beira-mar, com vista para as ondas e para os Dois Irmãos.


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Um Gigante de 1.259 Lugares à Beira-Mar

A orla do Leblon teve um cinema com 1.259 lugares entre os anos de 1951 e 1973. O Miramar, do Grupo Severiano Ribeiro, ficava na esquina da Avenida Delfim Moreira com a Rua General Artigas.

O Grupo Severiano Ribeiro que já havia construído impérios cinematográficos na Cinelândia, em Copacabana e em Ipanema apostou alto no Leblon. Nessa época, o grupo inaugurou os cines São Luiz de Recife, São Luiz de Fortaleza e Leblon (RJ), todos parte de uma expansão que cobria o Brasil inteiro. O Miramar era a joia da orla carioca: uma sala imponente, voltada para o mar, que transformava ir ao cinema numa experiência quase cinematográfica só de chegar.


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A Noite em que o Surfe Entrou no Miramar — e Eu Estava Lá

Em 1966, o Cinema Miramar foi palco de um momento que poucos cariocas tiveram o privilégio de viver: o lançamento brasileiro de "The Endless Summer" — lançado no Brasil com o poético título de "Alegria de Verão — A Busca Pela Onda Perfeita". Para celebrar a estreia do documentário de surfe mais icônico da história, a produção fez uma promoção que só poderia acontecer no Leblon: quem chegasse ao cinema com a sua prancha ganhava um ingresso de graça. E o resultado foi uma fila na Avenida Delfim Moreira que misturava cinema e praia de um jeito que o Rio de Janeiro ainda não havia visto. Naquele dia, um jovem morador da Avenida Visconde de Albuquerque (veja abaixo a Nota do Editor), carregava sua prancha até a esquina da Delfim Moreira com General Artigas e entrava no Miramar como se estivesse entrando para a história e de certa forma, estava. A sala com seus 1.259 lugares estava tomada por surfistas, curiosos e apaixonados pelo mar, todos reunidos para ver pela primeira vez na tela grande dois caras viajando o mundo em busca da onda perfeita.



Uma Vizinhança Curiosa

A Casa de Saúde e Maternidade Leblon ficava na calçada oposta ao Cinema Miramar. A maternidade ficava na Rua General Artigas, nº 1 exatamente na esquina com a Delfim Moreira. Ou seja, por muitos anos, nascer e crescer no Leblon significava vir ao mundo numa esquina, e ir ao cinema na outra. Uma vizinhança que dizia muito sobre o bairro daquela época.


A Morte Prematura — 22 Anos de Existência

Maravilhoso e enorme palácio cinematográfico, o Miramar teve morte prematura em 1973. Apenas 22 anos após sua inauguração, o cinema foi fechado e o terreno rapidamente aproveitado pela especulação imobiliária que já varria o bairro.

Um edifício de 8 andares foi erguido no terreno em 1974. Onde 1.259 cadeiras aplaudiam filmes de Hollywood, surgiu mais um prédio residencial de frente para o mar. Sem tombamento, sem resistência o Miramar simplesmente desapareceu.

Diferente do Cine Leblon, que resistiu até 2014 e hoje tem sua fachada preservada no Centro Empresarial Luiz Severiano Ribeiro, o Miramar não deixou fachada, placa, nem registro físico no bairro. Sobrevive apenas nas fotos antigas e na memória de quem teve o privilégio de sentar naquelas poltronas e olhar para a tela com o mar do Leblon logo ali do lado.


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O Que Ficou no Lugar
Hoje, no endereço que já foi um dos cinemas mais bonitos da Zona Sul, existe o Edifício Miramar construído em 1976, localizado na Avenida Delfim Moreira, número 920, é uma referência em luxo e exclusividade na orla do Leblon. O nome homenageia o cinema, mas a alma do lugar ficou para trás.


O Legado

O Cine Miramar é o símbolo daquilo que o Leblon perdeu sem lutar. Ao contrário do Hotel Leblon salvo pelo tombamento depois de intensa mobilização dos moradores, o Miramar foi engolido silenciosamente pela especulação dos anos 1970, quando o bairro ainda não tinha aprendido e nunca aprendeu a defender seu patrimônio. Para os que viveram aquela época, ir ao Miramar era mais do que ver um filme: era sentar à beira do mar, respirar a brisa do Atlântico e deixar que a magia do cinema se misturasse com a magia do Leblon.


Nota do Editor (Luiz Aviz) 

Para celebrar a estreia do documentário de surfe mais icônico da história, "The Endless Summer", no Cinema Miramar. a produção fez uma promoção que só poderia acontecer no Leblon: quem chegasse ao cinema com a sua prancha ganhava um ingresso de graça. E Eu estava lá com minha prancha debaixo do braço e entrei no Miramar para ver "The Endless Summer" naquela tela enorme, foi uma experiência que nunca esqueci. O Leblon era isso: a praia e o cinema, o mar e a cultura, tudo junto e misturado.


O Filme que Mudou Tudo

"The Endless Summer", dirigido por Bruce Brown, narra a aventura de dois surfistas americanos que seguem o verão ao redor do mundo da África à Austrália, passando por lugares que ninguém associava ao surfe. Com uma fotografia deslumbrante e um espírito de liberdade que transbordava da tela, o filme foi fundamental para popularizar o surfe.

O documentário, que em 2026 completou 60 anos, ajudou a introduzir o surfe ao grande público brasileiro, especialmente no eixo Rio-São Paulo. Mas foi no Leblon bairro que já respirava praia, sol e juventude que essa semente caiu em solo mais fértil.A exibição no Miramar é lembrada até hoje como um marco na disseminação da cultura do surfe no país. Naquela noite, o cinema deixou de ser só um cinema: virou ponto de encontro de uma geração que estava descobrindo que o mar era também um estilo de vida.

Veja o Trailer no YouTube

https://youtu.be/lmHQ9v2ijsQ?si=o_3K3rA2tdAo53Y8

terça-feira, 14 de abril de 2026

O Leblon que se foi #01 - Hotel Leblon

Hotel Leblon: A História do Cassino de Luxo que Marcou a Avenida Niemeyer

O Cenário — A Avenida Niemeyer e o Leblon dos Anos 1920

Para entender o Hotel Leblon, é preciso primeiro entender o bairro em que ele nasceu. Em 1916, o Comendador Conrado Jacob Niemeyer abriu nos costões após o Leblon a avenida que levaria seu nome. Em 1920, por ocasião da visita do rei Alberto, da Bélgica, a Prefeitura resolveu alargar a estrada e aumentar o raio de suas curvaturas — e foi nessa mesma ocasião que se construiu a Avenida Delfim Moreira, como continuação da Avenida Vieira Souto até o início da Niemeyer.

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Era nesse Leblon ainda de bangalôs, areais e ares de fim de mundo que surgiria um dos empreendimentos mais ambiciosos — e polêmicos — da história do bairro.

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As Origens — Um Cassino à Beira do Morro Dois Irmãos

Ainda na década de 1920, foi construído no início da Avenida Niemeyer o Hotel Leblon. Projetado pelo arquiteto Antonio Januzzi em 1922, e construído pelo espanhol João Otero Seoane em terreno comprado a Jacob Niemeyer por 150 mil réis, o hotel foi idealizado para funcionar como cassino de luxo, semelhante ao Hotel Quitandinha, de Petrópolis. O projeto havia sido, a princípio, vetado pelas autoridades para preservar a livre visão do Morro Dois Irmãos.

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Inaugurado em 1926, ele chegou a funcionar como ponto de encontro da alta sociedade, que frequentava o local para saborear os vinhos e conservas que Seoane importava da Europa.

Escândalos e a Marchinha do Carnaval

O plano do cassino jamais saiu do papel — e o hotel encontrou outro destino, bem mais pitoresco.

Segundo reportagem intitulada "Avenida Delfim Moreira faz 100 anos", publicada no suplemento Ipanema do Jornal O Globo em 30/10/1989, já no fim da década de 1920 uma simples menção ao Leblon Hotel era considerada um ato de atentado à moral e aos bons costumes. O hotel havia se transformado no primeiro motel da cidade, frequentado por casais de amantes dos mais variados pontos do Rio.

Uma marchinha criada por João de Barro (o Braguinha) e Alberto Ribeiro para o Carnaval de 1935, denominada "Deixa a lua sossegada", dizia em seu refrão: "o beijo começava em Realengo, esquentava no Flamengo e acabava no Leblon".

Hotel Leblon conhecido por histórias e encontros discretos no Rio

O endereço era perfeito para os segredos da cidade: isolado e afastado, funcionava como hotel e bar na parte da frente, mas alugava quartos por hora nos fundos. Como o terreno era grande, havia uma garagem com acesso pela lateral do prédio, que protegia os frequentadores de olhares indiscretos.


Décadas de Abandono e a Batalha pelo Tombamento

Depois da morte de João Otero, por volta da década de 1950, o prédio foi adquirido pelo Motel Clube do Brasil, que passou a explorar o negócio — funcionando ali a sede da entidade até a década de 1970.

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Em 1982, o imóvel de dois andares — com um anexo de três andares nos fundos onde funcionavam 37 apartamentos — foi arrematado em leilão por um consórcio de construtoras (Wrobel, Cowan e Terminal). A intenção era construir no local um edifício residencial ou um novo hotel. Para isso, as construtoras tentaram alterar o registro do imóvel da Avenida Niemeyer para a Avenida Visconde de Albuquerque, onde as construções podem atingir até 25 metros de altura (11 andares), enquanto na Avenida Niemeyer o gabarito máximo é de dois andares.

O prefeito Marcelo Alencar chegou a concordar com o pedido, mas voltou atrás no dia seguinte, revogando sua decisão. Uma virada histórica para o patrimônio do Leblon.

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A intenção do consórcio de demolir o prédio — que foi destelhado logo após a compra — e o seu posterior abandono motivaram a luta pelo tombamento por parte dos moradores do Leblon. Um decreto do INEPAC de 22/09/1994, que tombou parte do Morro Dois Irmãos, declarou o Hotel Leblon como bem preservado por se encontrar em área de entorno de bem tombado. Em 27/07/2001, a Prefeitura do Rio decretou o tombamento provisório do imóvel, com o intuito de criar a Área de Proteção do Ambiente Cultural (APAC) do Leblon.


A Restauração e o Legado

A partir de 2000, os proprietários do imóvel iniciaram obras para a restauração da fachada do Hotel Leblon e a construção de um novo imóvel no espaço atrás da fachada, compondo um novo conjunto arquitetônico. A restauração esteve a cargo da empresa Ópera Prima, que realizou o levantamento cadastral e as formas de toda a ornamentação da fachada. O novo imóvel foi destinado a salas comerciais, com térreo, dois pavimentos e subsolo.

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Hoje o endereço histórico abriga o Leblon Offices — e sua elegante fachada neoclássica na Av. Niemeyer, 2 segue de pé, contando silenciosamente uma história de glamour, segredos, abandono e ressurreição. Um símbolo perfeito da memória viva do nosso bairro.

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Este é um dos poucos patrimônios tombados do Leblon que ainda pode ser admirado presencialmente. Vale uma visita!

Nota do Editor (Luiz Aviz) - Quando ainda era Hotel foi em 1966 que tomei o primeiro Chope de minha vida, num bar que havia nos fundos do Hotel. 

Eu morava na Avenida Visconde de Albuquerque e Eu e minha turminha de noite principalmente no verão quando ainda não havia ar condicionado iamos para a Rua Aperana onde o hotel dava fundos e no verão as janelas ficavam quase todas abertas para ver os "romances" dos casais!

sexta-feira, 25 de julho de 2025

26 de Julho - Leblon celebra 106 anos

26 de Julho - Aniversário do Leblon - 106 Anos.
Praias de Ipanema e Leblon - 1943
Felisberto Ranzini - pintor, desenhista e arquiteto (1881 - 1976).

O Leblon celebra 106 anos de história no dia 26 de julho. O bairro, conhecido por sua elegância e charme, comemora seu aniversário com a lembrança de sua rica história, cultura, e desenvolvimento.

Mais de um século desde sua urbanização, iniciada com a abertura da Avenida Delfim Moreira e a urbanização da Praia do Leblon, idealizada por Paulo de Frontin.


Avenida Delfim Moreira - Leblon - 1919

O Leblon, que se tornou um ícone carioca, é um bairro que combina beleza natural, praia, cultura e uma fascinante história.

A data é uma oportunidade para celebrar a história e os encantos desse bairro, que hoje se destaca por seus imóveis de alto padrão, restaurantes e bares renomados e lojas sofisticadas.

Em 1919 a Companhia Constructora Ipanema, localizada na Rua do Ouvidor, 139 - Centro, vendia terrenos "a dinheiro ou a prestações no Leblon". A planta do loteamento, aprovada pela Prefeitura do Distrito Federal em 26 de Julho de 1919 mostra as ruas do bairro com seus nomes e localização.

#leblon

Companhia Constructora Ipanema


PARABÉNS LEBLON!





O Leblon que se foi #02 - Cinema Miramar

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