quinta-feira, 28 de maio de 2009

Local que seria Centro Cultural no Leblon vai a Leilão

O fundo de pensão dos servidores do Estado do Rio – vai leiloar um de seus imóveis com a finalidade de gerar ativos para o estado, com lance inicial de R$ 75 milhões.


O imóvel em questão são os cinco andares acima do Teatro Oi Casa Grande e do Shopping Leblon, na Avenida Afrânio de Melo Franco, no Leblon. A venda, no entanto, impossibilita a criação do Centro Cultural Casa Grande, polo de atividades na área cultural que estava previsto como contrapartida da criação do shopping.

Através de um convênio celebrado em 2002 pela então governadora Benedita da Silva, ficou acertado que os proprietários do shopping construiriam o complexo, que traria um museu resgatador da história do teatro, marcado pela proibição da peça Calabar, de Chico Buarque e Ruy Guerra, em 1974, por parte da repressão militar. O teatro que também recebeu o primeiro discurso de Lula no Rio, ainda como líder sindical, em 1978 – foi consumido por um incêndio em abril de 1997.

No entanto, durante o governo Sérgio Cabral, o imóvel foi repassado para o RioPrevidência que deve, por lei, vender o imóvel porque tem obrigatoriamente que gerar verba. O leilão do dia 30 de junho será o segundo só neste ano; em janeiro, o RioPrevidência já havia posto o imóvel à venda, sem que houvesse compradores.

O Instituto Casa Grande, criado para defender o interesse da classe artística na construção do Centro Cultural, atribuiu a falta de candidatos ao fato de haver uma liminar que esclarece aos compradores do acordo para a criação do Centro Cultural Casa Grande. Um risco para quem comprar o imóvel com esta pendência com a sociedade. Assinam a defesa do Centro Cultural Casa Grande nomes de peso, como o presidente da Associação Brasileira de Imprensa, Maurício Azêdo, o imortal Arnaldo Niskier, o cartunista Ziraldo e o arquiteto Oscar Niemeyer, entre outros artistas e intelectuais.

A Secretaria de Cultura do Estado afirmou que “não vai se pronunciar sobre o assunto por entender que esta é uma questão do RioPrevidência”. O presidente da Comissão de Cultura da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), deputado Alessandro Molon (PT), diz que o centro seria uma compensação histórica para o estado.

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