terça-feira, 14 de abril de 2026

O Leblon que se foi #01 - Hotel Leblon

Hotel Leblon: A História do Cassino de Luxo que Marcou a Avenida Niemeyer

O Cenário — A Avenida Niemeyer e o Leblon dos Anos 1920

Para entender o Hotel Leblon, é preciso primeiro entender o bairro em que ele nasceu. Em 1916, o Comendador Conrado Jacob Niemeyer abriu nos costões após o Leblon a avenida que levaria seu nome. Em 1920, por ocasião da visita do rei Alberto, da Bélgica, a Prefeitura resolveu alargar a estrada e aumentar o raio de suas curvaturas — e foi nessa mesma ocasião que se construiu a Avenida Delfim Moreira, como continuação da Avenida Vieira Souto até o início da Niemeyer.

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Era nesse Leblon ainda de bangalôs, areais e ares de fim de mundo que surgiria um dos empreendimentos mais ambiciosos — e polêmicos — da história do bairro.

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As Origens — Um Cassino à Beira do Morro Dois Irmãos

Ainda na década de 1920, foi construído no início da Avenida Niemeyer o Hotel Leblon. Projetado pelo arquiteto Antonio Januzzi em 1922, e construído pelo espanhol João Otero Seoane em terreno comprado a Jacob Niemeyer por 150 mil réis, o hotel foi idealizado para funcionar como cassino de luxo, semelhante ao Hotel Quitandinha, de Petrópolis. O projeto havia sido, a princípio, vetado pelas autoridades para preservar a livre visão do Morro Dois Irmãos.

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Inaugurado em 1926, ele chegou a funcionar como ponto de encontro da alta sociedade, que frequentava o local para saborear os vinhos e conservas que Seoane importava da Europa.

Escândalos e a Marchinha do Carnaval

O plano do cassino jamais saiu do papel — e o hotel encontrou outro destino, bem mais pitoresco.

Segundo reportagem intitulada "Avenida Delfim Moreira faz 100 anos", publicada no suplemento Ipanema do Jornal O Globo em 30/10/1989, já no fim da década de 1920 uma simples menção ao Leblon Hotel era considerada um ato de atentado à moral e aos bons costumes. O hotel havia se transformado no primeiro motel da cidade, frequentado por casais de amantes dos mais variados pontos do Rio.

Uma marchinha criada por João de Barro (o Braguinha) e Alberto Ribeiro para o Carnaval de 1935, denominada "Deixa a lua sossegada", dizia em seu refrão: "o beijo começava em Realengo, esquentava no Flamengo e acabava no Leblon".

Hotel Leblon conhecido por histórias e encontros discretos no Rio

O endereço era perfeito para os segredos da cidade: isolado e afastado, funcionava como hotel e bar na parte da frente, mas alugava quartos por hora nos fundos. Como o terreno era grande, havia uma garagem com acesso pela lateral do prédio, que protegia os frequentadores de olhares indiscretos.


Décadas de Abandono e a Batalha pelo Tombamento

Depois da morte de João Otero, por volta da década de 1950, o prédio foi adquirido pelo Motel Clube do Brasil, que passou a explorar o negócio — funcionando ali a sede da entidade até a década de 1970.

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Em 1982, o imóvel de dois andares — com um anexo de três andares nos fundos onde funcionavam 37 apartamentos — foi arrematado em leilão por um consórcio de construtoras (Wrobel, Cowan e Terminal). A intenção era construir no local um edifício residencial ou um novo hotel. Para isso, as construtoras tentaram alterar o registro do imóvel da Avenida Niemeyer para a Avenida Visconde de Albuquerque, onde as construções podem atingir até 25 metros de altura (11 andares), enquanto na Avenida Niemeyer o gabarito máximo é de dois andares.

O prefeito Marcelo Alencar chegou a concordar com o pedido, mas voltou atrás no dia seguinte, revogando sua decisão. Uma virada histórica para o patrimônio do Leblon.

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A intenção do consórcio de demolir o prédio — que foi destelhado logo após a compra — e o seu posterior abandono motivaram a luta pelo tombamento por parte dos moradores do Leblon. Um decreto do INEPAC de 22/09/1994, que tombou parte do Morro Dois Irmãos, declarou o Hotel Leblon como bem preservado por se encontrar em área de entorno de bem tombado. Em 27/07/2001, a Prefeitura do Rio decretou o tombamento provisório do imóvel, com o intuito de criar a Área de Proteção do Ambiente Cultural (APAC) do Leblon.


A Restauração e o Legado

A partir de 2000, os proprietários do imóvel iniciaram obras para a restauração da fachada do Hotel Leblon e a construção de um novo imóvel no espaço atrás da fachada, compondo um novo conjunto arquitetônico. A restauração esteve a cargo da empresa Ópera Prima, que realizou o levantamento cadastral e as formas de toda a ornamentação da fachada. O novo imóvel foi destinado a salas comerciais, com térreo, dois pavimentos e subsolo.

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Hoje o endereço histórico abriga o Leblon Offices — e sua elegante fachada neoclássica na Av. Niemeyer, 2 segue de pé, contando silenciosamente uma história de glamour, segredos, abandono e ressurreição. Um símbolo perfeito da memória viva do nosso bairro.

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Este é um dos poucos patrimônios tombados do Leblon que ainda pode ser admirado presencialmente. Vale uma visita!

Nota do Editor (Luiz Aviz) - Quando ainda era Hotel foi em 1966 que tomei o primeiro Chope de minha vida, num bar que havia nos fundos do Hotel. 

Eu morava na Avenida Visconde de Albuquerque e Eu e minha turminha de noite principalmente no verão quando ainda não havia ar condicionado iamos para a Rua Aperana onde o hotel dava fundos e no verão as janelas ficavam quase todas abertas para ver os "romances" dos casais!

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