Hotel Leblon: A História do Cassino de Luxo que Marcou a Avenida Niemeyer
O Cenário — A Avenida Niemeyer e o Leblon dos Anos 1920
Para entender o Hotel Leblon, é preciso primeiro entender o bairro em que ele nasceu. Em 1916, o Comendador Conrado Jacob Niemeyer abriu nos costões após o Leblon a avenida que levaria seu nome. Em 1920, por ocasião da visita do rei Alberto, da Bélgica, a Prefeitura resolveu alargar a estrada e aumentar o raio de suas curvaturas — e foi nessa mesma ocasião que se construiu a Avenida Delfim Moreira, como continuação da Avenida Vieira Souto até o início da Niemeyer.
Era nesse Leblon ainda de bangalôs, areais e ares de fim de mundo que surgiria um dos empreendimentos mais ambiciosos — e polêmicos — da história do bairro.
As Origens — Um Cassino à Beira do Morro Dois Irmãos
Ainda na década de 1920, foi construído no início da Avenida Niemeyer o Hotel Leblon. Projetado pelo arquiteto Antonio Januzzi em 1922, e construído pelo espanhol João Otero Seoane em terreno comprado a Jacob Niemeyer por 150 mil réis, o hotel foi idealizado para funcionar como cassino de luxo, semelhante ao Hotel Quitandinha, de Petrópolis. O projeto havia sido, a princípio, vetado pelas autoridades para preservar a livre visão do Morro Dois Irmãos.
Escândalos e a Marchinha do Carnaval
O plano do cassino jamais saiu do papel — e o hotel encontrou outro destino, bem mais pitoresco.
Segundo reportagem intitulada "Avenida Delfim Moreira faz 100 anos", publicada no suplemento Ipanema do Jornal O Globo em 30/10/1989, já no fim da década de 1920 uma simples menção ao Leblon Hotel era considerada um ato de atentado à moral e aos bons costumes. O hotel havia se transformado no primeiro motel da cidade, frequentado por casais de amantes dos mais variados pontos do Rio.
Uma marchinha criada por João de Barro (o Braguinha) e Alberto Ribeiro para o Carnaval de 1935, denominada "Deixa a lua sossegada", dizia em seu refrão: "o beijo começava em Realengo, esquentava no Flamengo e acabava no Leblon".
Hotel Leblon conhecido por histórias e encontros discretos no Rio
O endereço era perfeito para os segredos da cidade: isolado e afastado, funcionava como hotel e bar na parte da frente, mas alugava quartos por hora nos fundos. Como o terreno era grande, havia uma garagem com acesso pela lateral do prédio, que protegia os frequentadores de olhares indiscretos.Décadas de Abandono e a Batalha pelo Tombamento
Depois da morte de João Otero, por volta da década de 1950, o prédio foi adquirido pelo Motel Clube do Brasil, que passou a explorar o negócio — funcionando ali a sede da entidade até a década de 1970.
O prefeito Marcelo Alencar chegou a concordar com o pedido, mas voltou atrás no dia seguinte, revogando sua decisão. Uma virada histórica para o patrimônio do Leblon.
A Restauração e o Legado
A partir de 2000, os proprietários do imóvel iniciaram obras para a restauração da fachada do Hotel Leblon e a construção de um novo imóvel no espaço atrás da fachada, compondo um novo conjunto arquitetônico. A restauração esteve a cargo da empresa Ópera Prima, que realizou o levantamento cadastral e as formas de toda a ornamentação da fachada. O novo imóvel foi destinado a salas comerciais, com térreo, dois pavimentos e subsolo.
Este é um dos poucos patrimônios tombados do Leblon que ainda pode ser admirado presencialmente. Vale uma visita!
Nota do Editor (Luiz Aviz) - Quando ainda era Hotel foi em 1966 que tomei o primeiro Chope de minha vida, num bar que havia nos fundos do Hotel.
Eu morava na Avenida Visconde de Albuquerque e Eu e minha turminha de noite principalmente no verão quando ainda não havia ar condicionado iamos para a Rua Aperana onde o hotel dava fundos e no verão as janelas ficavam quase todas abertas para ver os "romances" dos casais!







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